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Em um mercado ainda altamente viciado em ideias e práticas proprietárias, em que o “lock-in” é a regra, faz parte de nosso dia a dia esclarecer nossos parceiros, fornecedores e clientes a respeito dos valores sobre os quais construímos a nossa empresa. Informações básicas como “você não precisa usar um software específico para modelar o objeto que será impresso em nossa máquina” são frequentemente recebidas com surpresa.
Em grande parte, nosso discurso e nossa prática cotidiana acabam sendo um misto de empreendedorismo e ativismo. E este parece ser um processo virtuoso. Trabalhamos com uma tecnologia que, apesar de não ser nova, ainda é novidade pra muita gente, além de ser certamente sedutora e maximizar o alcance da nossa mensagem sobre valores éticos e o compartilhamento de conhecimento.
Por outro lado, o compromisso com o software livre e com o hardware aberto é um dos elementos que mais valoriza e dá destaque ao nosso empreendedorismo. Antes de mais nada, decidimos abrir a empresa para podermos trabalhar, em tempo integral, em projetos que estivessem de acordo com nossos valores pessoais.
Por muito tempo, inspiramo-nos no trabalho da Makerbot, empresa dos EUA pioneira no mercado de impressão 3D com hardware aberto e software livre. Tanto a Makerbot quanto a Metamáquina surgiram em contextos similares, em meio a ambientes de colaboração da comunidade Do-It-Yourself. Ambas nasceram da iniciativa de membros de hackerspaces – o NYCResistor, em Nova Iorque, e o Garoa Hacker Clube, em São Paulo, respectivamente.
Diversas vezes, citamos a interação entre os projetos da Makerbot e a da Ultimaker, entre outras empresas, como exemplo de que a abertura de um projeto pode ser economicamente viável e de que a prática da colaboração, além de ter seu valor social, também é uma forma mais inteligente de se construir tecnologias.
Entretanto, as notícias dessa semana referentes ao lançamento de um novo modelo de impressora 3D da Makerbot vieram junto com o lançamento de um software proprietário (mais precisamente, um frontend proprietário para programas livres subjacentes) e com rumores de que os esquemáticos de hardware da Replicator 2 não serão publicados livremente, como era de costume acontecer com modelos anteriores.
É com tristeza que descobrimos que a Makerbot deixou de ser um ponto de referência e inspiração para nós da Metamáquina. Estamos desapontados com estas mudanças e esperamos que a má recepção do público convença seus executivos a mudarem de ideia e reverterem a situação. De todo modo, aparentemente, a confiança depositada pela comunidade foi perdida, e isso é algo muito difícil de se reconquistar.
Sabemos que existem diversos fatores comerciais e econômicos que, invariavelmente, resultam em mudanças de estratégia ao longo do ciclo de vida de um empreendimento. Mas não podemos nunca deixar que essas mudanças corrompam nossos valores.
E é por isso que, à luz dos acontecimentos recentes nos EUA, queremos reafirmar nosso compromisso: não iremos jamais desenvolver hardware secreto e não iremos jamais promover software que desrespeite a autonomia e liberdade do usuário. Esses preceitos guiam a paixão pelo que fazemos e, portanto, são indissociáveis da nossa missão. Não haveria qualquer sentido em fazer diferente, e preferiríamos mil vezes fechar a empresa a fechar o código.
Filipe Moura
Felipe Sanches
Rodrigo Rodrigues da Silva
fundadores – Metamáquina











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